REsp
Recurso Especial
Processo nº 1106515
ID do Registro
#69779d7e9344b
200802595631
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ARNALDO ESTEVES LIMA
2011-02-02
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2010-12-16
Não categorizado
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. LEGITIMIDADE DA DEFENSORIA
PÚBLICA PARA AJUIZAR AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ART. 134 DA CF. ACESSO À
JUSTIÇA. DIREITO FUNDAMENTAL. ART. 5º, XXXV, DA CF. ARTS. 21 DA LEI
7.347/85 E 90 DO CDC. MICROSSISTEMA DE PROTEÇÃO AOS DIREITOS
TRANSINDIVIDUAIS. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. INSTRUMENTO POR EXCELÊNCIA.
LEGITIMIDADE ATIVA DA DEFENSORIA PÚBLICA PARA AJUIZAR AÇÃO CIVIL
PÚBLICA RECONHECIDA ANTES MESMO DO ADVENTO DA LEI 11.448/07.
RELEVÂNCIA SOCIAL E JURÍDICA DO DIREITO QUE SE PRETENDE TUTELAR.
RECURSO NÃO PROVIDO.
1. A Constituição Federal estabelece no art. 134 que "A Defensoria
Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado,
incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus,
dos necessitados, na forma do art. 5º, LXXIV". Estabelece, ademais,
como garantia fundamental, o acesso à justiça (art. 5º, XXXV, da
CF), que se materializa por meio da devida prestação jurisdicional
quando assegurado ao litigante, em tempo razoável (art. 5º, LXXVIII,
da CF), mudança efetiva na situação material do direito a ser
tutelado (princípio do acesso à ordem jurídica justa).
2. Os arts. 21 da Lei da Ação Civil Pública e 90 do CDC, como normas
de envio, possibilitaram o surgimento do denominado Microssistema ou
Minissistema de proteção dos interesses ou direitos coletivos amplo
senso, com o qual se comunicam outras normas, como os Estatutos do
Idoso e da Criança e do Adolescente, a Lei da Ação Popular, a Lei de
Improbidade Administrativa e outras que visam tutelar direitos dessa
natureza, de forma que os instrumentos e institutos podem ser
utilizados para "propiciar sua adequada e efetiva tutela" (art. 83
do CDC).
3. Apesar do reconhecimento jurisprudencial e doutrinário de que "A
nova ordem constitucional erigiu um autêntico 'concurso de ações'
entre os instrumentos de tutela dos interesses transindividuais"
(REsp 700.206/MG, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, DJe 19/3/10),
a ação civil pública é o instrumento processual por excelência para
a sua defesa.
4. A Lei 11.448/07 alterou o art. 5º da Lei 7.347/85 para incluir a
Defensoria Pública como legitimada ativa para a propositura da ação
civil pública. Essa e outras alterações processuais fazem parte de
uma série de mudanças no arcabouço jurídico-adjetivo com o objetivo
de, ampliando o acesso à tutela jurisdicional e tornando-a efetiva,
concretizar o direito fundamental disposto no art. 5º, XXXV, da CF.
5. In casu, para afirmar a legitimidade da Defensoria Pública
bastaria o comando constitucional estatuído no art. 5º, XXXV, da CF.
6. É imperioso reiterar, conforme precedentes do Superior Tribunal
de Justiça, que a legitimatio ad causam da Defensoria Pública para
intentar ação civil pública na defesa de interesses transindividuais
de hipossuficientes é reconhecida antes mesmo do advento da Lei
11.448/07, dada a relevância social (e jurídica) do direito que se
pretende tutelar e do próprio fim do ordenamento jurídico
brasileiro: assegurar a dignidade da pessoa humana, entendida como
núcleo central dos direitos fundamentais.
7. Recurso especial não provido.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior
Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso
especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs.
Ministros Benedito Gonçalves (Presidente), Hamilton Carvalhido, Luiz
Fux e Teori Albino Zavascki votaram com o Sr. Ministro Relator.