REsp
Recurso Especial
Processo nº 649391
ID do Registro
#69779d7e653f0
200400449078
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LUIZ FUX
2006-02-20
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2006-02-02
Não categorizado
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO
ARTIGO 535, II DO CPC. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO
ACÓRDÃO RECORRIDO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. DEFICIÊNCIA NA
FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. SÚMULA 282/STF. VIOLAÇÃO À SÚMULA. ANÁLISE
DE MATÉRIA FÁTICA-PROBATÓRIA. SÚMULA 07/STJ. AÇÃO POPULAR. SIMULAÇÃO
DE DISPENSA IMOTIVADA. PREJUÍZO AO ERÁRIO MUNICIPAL.
1. Inexiste violação ao artigo 535, II, do CPC, quando o voto
condutor dos embargos de declaração enfrenta explicitamente a
questão embargada, mercê de o magistrado não estar obrigado a
rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os
fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a
decisão.
2. É inviável a apreciação, em sede de Recurso Especial, de matéria
sobre a qual não se pronunciou o tribunal de origem, porquanto
indispensável o requisito do prequestionamento.
3. Isto por que, é cediço que "É inadmissível o recurso
extraordinário, quando não ventilada na decisão recorrida, a questão
federal suscitada" (Súmula 282/STF).
4. Os verbetes ou enunciados dos tribunais não se equiparam às leis
federais para a finalidade prevista no art. 105, III, "a", da
Constituição Federal. Precedentes: REsp 721418 / RO, Relator Min.
Teori Albino Zavascki, DJ 19.09.2005; AgRg no REsp 695304 / RJ,
Relator Min. Francisco Falcão, DJ 05.09.2005; REsp 294784 / PB,
Relator Min. Felix Fischer, DJ 30.08.2004.
5. O reexame do conjunto probatório carreado nos autos, é vedado em
sede de recurso especial, pelo inserto no enunciado sumular n.º 07
do Eg. STJ.
6. In casu, julgar se o pagamento efetuado pelo Município foi
suficiente ou não implica em análise de matéria fático-probatória, o
que é vedado em sede de recurso especial, pelo inserto no enunciado
sumular n.º07 deste Sodalício.
7. Destarte, é cediço no E. STJ que
''CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. MEDIDA CAUTELAR, PREPARATÓRIA
DE AÇÃO POPULAR, AJUIZADA CONTRA PREFEITO MUNICIPAL. COMPETÊNCIA: DO
JUIZ DE PRIMEIRO GRAU, E NÃO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSO
IMPROVIDO.
I - O PREFEITO MUNICIPAL SÓ TEM O TRIBUNAL DE JUSTIÇA COMO SEU JUIZ
NATURAL NAS AÇÕES PENAIS, E NÃO NAS CÍVEIS.
II - AS MEDIDAS CAUTELARES PREPARATÓRIAS SERÃO AJUIZADAS PERANTE O
JUIZ COMPETENTE PARA CONHECER DA AÇÃO PRINCIPAL, O QUAL FICA
PREVENTO.
III - TRATANDO-SE DE MEDIDA CAUTELAR, PREPARATÓRIA DE AÇÃO POPULAR,
PROPOSTA CONTRA PREFEITO MUNICIPAL, COMPETE AO JUIZ DE PRIMEIRO
GRAU, E NÃO AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA, PROCESSAR E JULGAR AS CAUSAS
PRINCIPAL E ACESSÓRIA.
IV - INTELIGÊNCIA DO ART. 29, VIII, DA CF/88, DO ART. 101, VIII, "A"
DA CONSTITUIÇÃO PARANAENSE, DO ART. 800 DO CPC E DO ART. 5. DA LEI
N. 4.717/1965.
V - PRECEDENTES DO STJ: RESP N. 6.386/PR E RMS N. 1.981/AM.
VI - PRECEDENTES DO STF: PET. N. 194/SP - AGRG E PET. N. 1.026/DF.
VII - RECURSO ORDINÁRIO CONHECIDO, MAS IMPROVIDO.''( RMS 2621/PR,
Relator Min. Adhemar Maciel, DJ 23.06.1997).
8. Ademais, a CEF expressamente manifestou às fls. 129 o seu
desinteresse na lide e, bem aduziu o MPF (fls.433): ''Ainda que
fosse possível analisar o mérito da controvérsia a respeito do juízo
competente para a causa, não há dúvida de que as contribuições do
FGTS feitas pelo Município em nome do particular não envolve matéria
de competência da Justiça Federal, como bem explicou o ilustre Juiz
de primeiro grau, verbis (fls. 202/203)''.
9. Ad argumentandum tantum, a devolução de toda e qualquer quantia
recebida indevidamente, é efeito acessório da condenação. Por isso
que, não consubstanciado pedido não influi na competência.
10. Recurso especial parcialmente conhecido pela suposta violação ao
art. 19 da Lei 8.036/90 e desprovido.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da
PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos
votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, conhecer
parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negar-lhe
provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs.
Ministros Teori Albino Zavascki, Denise Arruda e José Delgado
votaram com o Sr. Ministro Relator.
Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão.