AGRMS
Processo Sem Classe
Processo nº 10157
ID do Registro
#69779d7e5c976
200401730717
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LUIZ FUX
2005-03-28
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2005-03-09
Não categorizado
Ementa
MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA PROVISÓRIA 213 DE 10/09/2004. NORMA
GERAL. CRIAÇÃO DO "PROUNI" PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS.
APLICAÇÃO DA SÚMULA 266/STF. DESCABIMENTO DE MANDADO DE SEGURANÇA
CONTRA LEI EM TESE.
1. Editada a Medida Provisória e pleiteada a declaração de
inconstitucionalidade das obrigações nela encartadas, revela-se
inequívoco que o writ dirige-se contra a lei em tese. In casu, o
mandado de segurança foi impetrado contra a MP 213, que criou o
Programa Universidade para Todos.
2. É cediço que é incabível mandado de segurança contra a lei em
tese (Súmula 266 do STF), posto norma de caráter geral e abstrato.
Deveras, é assente em sede jurisprudencial que: "A lei em tese,
enquanto ato legítimo emanado de autoridade legítima, só é
suscetível de ser atacada via mandamental, quando ferir direitos
individuais (concretizar efeitos). Enquanto abstrato e geral não
enseja MS, porquanto é norma geral (lei em tese)" (STJ -1.aT. -RMS
761-GO -reI. Min. Pedro Acioli, j. 14.08.1991, DJU 16.09.1991, p.
12.620; STJ - l.a S - MS 488-DF - reI. Min. Américo Luz, j.
25.06.1991, DJU 19.08.1991, p. 10.971; RSTJ62/47); RTJ 158/103: "não
cabe mandado de segurança contra lei em tese"; STF - RT 738/214;
RSTJ 4/1.432;)."
3. Ademais, "A Constituição dá o mandado de segurança para proteger
direito líquido e certo ameaçado por ilegalidade ou abuso de poder
da autoridade. Portanto, o ato negativo ou comissivo constituir-se-á
em oportunidade para a impetração. Se a lei é constitucional,
necessário se faz aguardar o ato da autoridade eivado de ilegalidade
ou abuso de poder. Se é inconstitucional, o caminho é a
representação, e não o mandado de segurança (RTJ 43/359, 46/1,
47/654, 41/334, 54/71 e 62/774)." (Roberto Rosas, Direito Sumular).
4. Precedentes da Corte: MS 8190/DF, 1ª Seção, Rel. Min. Denise
Arruda, DJ 02/08/2004; MS 8870/DF, 3ª Seção, Rel. Min. Felix
Fischer, DJ 16/06/2003.
5. Destarte, ainda que de cunho preventivo, não se pode eleger como
causa petendi do mandado de segurança a inconstitucionalidade da
lei, porquanto, além de desvirtuar o objeto do writ, substituindo a
ação própria de declaração de inconstitucionalidade, impinge ao E.
STJ a cognição de matéria para a qual não tem competência
constitucional. 6. Hipótese em que o ato coator não foi praticado
por Ministro de Estado. Consectariamente, o STJ não possui
competência para processar e julgar mandado de segurança originário
contra autoridade não elencada no art. 105, inciso I, alínea "b", da
Constituição Federal.
7. É cediço na doutrina que: "No mandado de segurança, inexiste a
fase de instrução, de modo que, havendo dúvidas quanto às provas
produzidas na inicial, o juiz extinguirá o processo sem julgamento
do mérito, por falta de um pressuposto básico, ou seja, a certeza e
liquidez do direito." (Maria Sylvia Zanella Di Pietro, in Direito
Administrativo, Editora Atlas, 13ª Edição, pág. 626)
8. Agravo regimental desprovido.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da
PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos
votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar
provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro
Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Castro Meira,
Denise Arruda, José Delgado e Franciulli Netto votaram com o Sr.
Ministro Relator.
Ausentes, ocasionalmente, os Srs. Ministros João Otávio de Noronha,
Francisco Peçanha Martins e Francisco Falcão.