REsp
Recurso Especial
Processo nº 175888
ID do Registro
#69779d7e2b253
199800393315
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DEMÓCRITO REINALDO
1999-05-03
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1999-03-18
Não categorizado
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA PARA DECLARAÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DEFENDER DIREITOS DIVISÍVEIS.
LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA FIGURAR NO PÓLO ATIVO.
EXTINÇÃO DO PROCESSO.
O Ministério Público só tem legitimidade para figurar no pólo
ativo de ação civil pública, quando na defesa de interesse difuso ou
coletivo, assim entendidos os transindividuais, de natureza
indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas
por circunstâncias de fato (art. 81, parágrafo único, incisos I e II
da Lei 8.078) de que seja titular grupo, categoria ou classe de
pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação
jurídica base.
O pedido de suspensão de pagamento de tributo e a respectiva
repetição de indébito não se insere na categoria de interesses
difusos ou coletivos, porquanto, são divisíveis e individualizáveis.
Interesse coletivo, na dicção da lei, não se confunde com
interesse público ou da coletividade, pois, aquele, (interesse
público) não entende como sendo uma simples realidade quantitativa,
dependente do número de indivíduos que o partilham.
O pedido de sustação de pagamento de tributo, cumulado com
repetição de indébito, não tem conteúdo de interesse público, a ser
protegido pela ação civil pública, que não pode substituir a de
repetição de indébito, pois, se cuida de direito individual,
determinado, quantificado, eis que, cada contribuinte efetua
pagamento de quantia certa, em período considerado. Os
contribuintes não são consumidores, não havendo como se vislumbrar
sua equiparação aos portadores de direitos difusos ou coletivos (Lei
nº 7.347, art. 1º, IV).
Em se tratando, in casu, de direitos individuais homogêneos,
identificáveis e divisíveis, titularidades e quantificáveis, devem
ser postulados, na esfera jurisdicional, pelos seus próprios
titulares, já que, na sistemática do nosso direito, salvo exceção
legal, ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio.
Recurso improvido. Decisão unânime.
Decisão Completa
Vistos e relatados os autos em que são partes as acima indicadas,
decide a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e
notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte
integrante do presente julgado. Votaram com o Relator os Srs.
Ministros HUMBERTO GOMES DE BARROS, JOSÉ DELGADO e GARCIA VIEIRA.
Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro MILTON LUIZ PEREIRA.