REsp
Recurso Especial
Processo nº 1559292
ID do Registro
#69779d7e09665
201400597105
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HERMAN BENJAMIN
2016-05-23
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2016-02-02
Não categorizado
Ementa
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. TRANSPORTE URBANO COLETIVO DE
PASSAGEIROS. AUSÊNCIA DE LICITAÇÃO. CABIMENTO DA AÇÃO POPULAR.
PREJUÍZO AO ERÁRIO IN RE IPSA. ADMITIDA A DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI MUNICIPAL. VIOLAÇÃO DA CLÁSULA DE
RESERVA DO PLENÁRIO. OFENSA AOS ARTIGOS 480 E 481 DO CPC. SÚMULA
VINCULANTE 10/STF.
1. A insurgência das recorrentes cinge-se à possibilidade de o
Tribunal a quo declarar, em Ação Popular, de forma incidental, por
órgão fracionário, a inconstitucionalidade da Lei Municipal
5.432/2001, que concedeu serviços municipais de transporte público e
de passageiro sem prévia licitação.
2. Sobre a necessidade de comprovação de dano em Ação Popular, é
possível aferir que a lesividade ao patrimônio público é in re ipsa.
Sendo cabível para a proteção da moralidade administrativa, ainda
que inexistente o dano material ao patrimônio público, a Lei
4.717/65 estabelece casos de presunção de lesividade, bastando a
prova da prática do ato nas hipóteses descritas para considerá-lo
nulo de pleno direito.
3. Ademais, é possível a declaração incidental de
inconstitucionalidade em Ação Popular, "desde que a controvérsia
constitucional não figure como pedido, mas sim como causa de pedir,
fundamento ou simples questão prejudicial, indispensável à resolução
do litígio principal, em torno da tutela do interesse público".
(REsp 437.277/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ
13/12/2004).
4. A jurisprudência do STJ é de que, "nos termos do art. 481,
parágrafo único, do CPC, 'os órgãos fracionários dos tribunais não
submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de
inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do
plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão'. Conforme se
verifica, a regra exceptiva exige o prévio pronunciamento sobre a
questão pelo plenário (ou órgão especial) do respectivo tribunal ou
pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, de modo que a existência
de precedentes em casos similares que levaram em consideração a
legislação de outros entes federativos , por si só, não é suficiente
para afastar a cláusula de reserva de plenário" (REsp 1.076.299/BA,
Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em
19/10/2010, DJe 27/10/2010.) 5. In casu, não podia o órgão
fracionário declarar a inconstitucionalidade da Lei Municipal
5.432/2001 sem observar as regras contidas nos arts. 480 a 482 do
CPC, ou seja, sem suscitar o incidente de declaração de
inconstitucionalidade.
6. Recursos Especiais parcialmente providos para anular o acórdão
recorrido e determinar que seja observado o procedimento previsto
nos artigos 480 e seguintes do CPC.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA Turma do Superior
Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, deu parcial
provimento aos recursos, nos termos do voto do(a) Sr(a).
Ministro(a)-Relator(a)."
Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Diva Malerbi
(Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins
(Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator.
Ausente, justificadamente, a Sra. Ministra Assusete Magalhães.