REsp
Recurso Especial
Processo nº 1120113
ID do Registro
#69779d5b4022b
200900161040
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NANCY ANDRIGHI
2011-10-10
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2011-02-15
Não categorizado
Ementa
AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CONFERÊNCIA DE MERCADORIAS NA SAÍDA DO
ESTABELECIMENTO COMERCIAL, APÓS REGULAR PAGAMENTO. EXERCÍCIO DO
DIREITO DE VIGILÂNCIA E PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO. MERO DESCONFORTO.
ABUSIVIDADE DA CONDUTA NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO
PRINCÍPIO DA BOA-FÉ.
1. O reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor nas relações de
consumo deve sempre almejar o desejável equilíbrio da relação
estabelecida entre o consumidor e o fornecedor. A proteção da boa-fé
nas relações de consumo não equivale a favorecer indiscriminadamente
o consumidor, em detrimento de direitos igualmente outorgados ao
fornecedor.
2. A prática da conferência indistinta de mercadorias pelos
estabelecimentos comerciais, após a consumação da venda, é em
princípio lícito e tem como base o exercício do direito de
vigilância e proteção ao patrimônio, razão pela qual não constitui,
por si só, prática abusiva. Se a revista dos bens adquiridos é
realizada em observância aos limites da urbanidade e civilidade,
constitui mero desconforto, a que atualmente a grande maioria dos
consumidores se submete, em nome da segurança.
3. Recurso especial a que se nega provimento.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da
Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos
votos e das notas taquigráficas constantes dos autos, por
unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do
voto do(a) Sr(a). Ministro(a) Relator(a). Os Srs. Ministros Massami
Uyeda, Paulo de Tarso Sanseverino e Vasco Della Giustina votaram com
a Sra. Ministra Relatora. Impedido o Sr. Ministro Sidnei Beneti.
Dr(a). CELSO CINTRA MORI, pela parte RECORRIDA: MAKRO ATACADISTA
S/A.