HC
Habeas Corpus
Processo nº 96849
ID do Registro
#69779d5aeb6db
200702993459
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LAURITA VAZ
2010-03-22
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2010-03-02
Não categorizado
Ementa
HABEAS CORPUS. PENAL E PROCESSUAL PENAL. ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR.
PECULATO. DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA E COAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO.
INDÍCIOS QUANTO À MATERIALIDADE E AUTORIA E FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE
ELEMENTARES DOS TIPOS PENAIS IMPUTADOS AO PACIENTE. IMPROPRIEDADE DA
VIA ELEITA, POR DEMANDAR DILAÇÃO PROBATÓRIA. ALEGADA OFENSA AO ART.
33, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI ORGÂNICA DA MAGISTRATURA NACIONAL NÃO
CONFIGURADO. ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR. LEGITIMIDADE ATIVA. CRIME
COMETIDO COM VIOLÊNCIA REAL. APLICAÇÃO, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N.º
608 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DELEGAÇÃO DO INTERROGATÓRIO AO JUIZ
DE DIREITO SUBSTITUTO LEGAL DO ORA RÉU, TAMBÉM MAGISTRADO NA
COMARCA. INADMISSIBILIDADE. ORDEM DENEGADA. HABEAS CORPUS CONCEDIDO
DE OFÍCIO, MANTENDO A LIMINAR ANTERIORMENTE DEFERIDA.
1. As pretensões dirigidas ao trancamento da ação penal por falta de
plausibilidade jurídica acerca da materialidade e dos indícios de
autoria, quanto ao crime de peculato, e por falta de indícios
probatórios das elementares dos crimes de denunciação caluniosa e de
coação no curso do processo, não podem ser apreciadas em sede de
habeas corpus pois demandariam, necessariamente, o reexame do
conjunto fático-probatório dos autos, o que é inviável na via
eleita.
2. A prerrogativa de foro do Paciente, Juiz de Direito, não implica
a impossibilidade de o Ministério Público dispensar investigações
preliminares, em face da existência de elementos suficientes para
embasar a denúncia, consistentes em provas colhidas para o
ajuizamento de ação civil pública e em depoimentos da vítima e de
testemunhas que foram espontaneamente a esse órgão delatar crimes.
3. O objetivo precípuo da investigação criminal preliminar é a
formação da convicção do titular da ação penal. O inquérito
policial, ou outro procedimento investigatório, constitui peça
meramente informativa, sem valor probatório, apenas servindo de
suporte para a propositura da ação penal.
4. O crime de atentado violento ao pudor praticado com violência
real ou grave ameaça é de ação penal pública incondicionada. Essa
violência consistiu na utilização de força física para, contra a
vontade da vítima de 12 (doze) anos, praticar atos libidinosos.
Apesar de, em uma primeira análise, a conduta do Paciente não ter
gerado lesões corporais na vítima, é certo que a impossibilitou de
opor resistência à prática criminosa. Aplicação, por analogia, do
enunciado da Súmula n.º 608 do Supremo Tribunal Federal.
Precedentes.
5. O interrogatório não é ato meramente ordinatório, na medida em
que, além de ser meio de defesa, é possível fonte de prova a
contribuir com a formação do convencimento do julgador, sendo
necessário assegurar que seja realizado de forma segura, justa e
equidistante das partes.
6. Na hipótese, dadas as peculiaridades no caso concreto,
verifica-se constrangimento ilegal na decisão do Desembargador da
ação penal originária, que delegou o ato de interrogatório do
Paciente ao Juiz de Direito da Comarca onde o Réu também atua como
magistrado, uma vez que um Juiz é o substituto automático do outro.
7. Ordem denegada. Habeas corpus concedido, de ofício, para
determinar que o interrogatório seja realizado por um dos Juízos de
Direito da Capital ou pelo próprio Relator.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da
QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos
votos e das notas taquigráficas a seguir, "por unanimidade, denegar
a ordem e conceder "Habeas Corpus" de ofício, nos termos do voto da
Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Arnaldo Esteves Lima,
Napoleão Nunes Maia Filho, Jorge Mussi e Felix Fischer votaram com a
Sra. Ministra Relatora.