REsp
Recurso Especial
Processo nº 699287
ID do Registro
#69779d5ade778
200401357131
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MAURO CAMPBELL MARQUES
2009-10-23
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2009-10-13
Não categorizado
Ementa
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA. DEPÓSITO DE LIXO EM LOCAL INADEQUADO. REJEIÇÃO
LIMINAR DA AÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
1. Cuidam os autos de ação civil pública de improbidade
administrativa ajuizada pelo Ministério Público do Estado do Acre em
desfavor de Francisco Batista de Souza, ex-prefeito do Município de
Senador Guiomar, em razão de ter ordenado que o lixo coletado na
cidade fosse depositado em área totalmente inadequada (situada aos
fundos de uma escola municipal e de uma fábrica de pescados), de
modo que tal ato, por acarretar grandes danos ao meio ambiente e à
população das proximidades, reclama a responsabilização do agente
público.
2. O Plenário do Tribunal de origem entendeu, com base em voto
majoritário, que é de ser rejeitada liminarmente a ação civil
pública de improbidade administrativa proposta contra um único
prefeito municipal em todo o Estado do Acre que, a despeito de
desatender a Lei estadual n. 1.117/94 e o Código Florestal, no que
se refere ao adequado depósito de lixo urbano, administrativamente
age como todos os demais prefeitos, face à insuficiência
orçamentária sofrida pelas municipalidades e sob pena de malferir o
princípio da razoabilidade.
3. Este entendimento merece reforma.
4. É que o simples fato de os prefeitos anteriores ou de outros
prefeitos terem iniciado prática danosa ao meio ambiente não elide a
responsabilização do recorrido, que adotou, quando de sua gestão
(autônoma em relação a todas as outras), a mesma conduta
(poluidora).
5. Além disso, a mera alegação de que a verba orçamentária das
municipalidades seria insuficiente para viabilizar a adequação do
depósito de lixo às normas ambientais não tem o condão de afastar o
interesse de o Ministério Público propor demanda na qual se objetive
a responsabilização do agente da Administração Pública que atuou em
desconformidade com a legislação protetiva do meio ambiente.
6. Com efeito, o § 1º do art. 14 da Lei n. 6.938/81 preceitua que,
"sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o
poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a
indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a
terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da União
e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade
civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente".
7. Frise-se, ainda, que a despeito da menção, na ementa do Tribunal
de origem, acerca da existência de Termo de Ajustamento de Conduta
(TAC), a verdade é que os fatos noticiados no acórdão combatido
apenas dão conta de que o recorrente, o recorrido e o Ibama estavam
em tratativas neste sentido (de firmar o TAC) - e não de que o TAC
exista e venha sendo cumprido (fl. 108).
8. Vedada a análise de provas nesta instância especial, devem-se
considerar os fatos tal como descritos no acórdão, vale dizer, pela
inexistência de TAC que obste o prosseguimento desta ação.
9. Recurso especial provido.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as
acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior
Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas
taquigráficas, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos
termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira, Humberto Martins e
Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins.