REsp
Recurso Especial
Processo nº 848810
ID do Registro
#69779d5a87892
200601034987
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HUMBERTO MARTINS
2007-03-26
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2007-03-13
Não categorizado
Ementa
PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO ? RECURSO ESPECIAL ? TERMO DE ACORDO DE
REGIME ESPECIAL (TARE) CELEBRADO PELO DISTRITO FEDERAL ? ICMS ? AÇÃO
CIVIL PÚBLICA ? ILEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO ? INADEQUAÇÃO DA
VIA ELEITA ? DEFESA DE INTERESSES DISPONÍVEIS E DIVISÍVEIS ?
PARÁGRAFO ÚNICO, DO ART. 1º, DA LEI N. 7.347/85 ? ADIN N. 2.440-0 ?
DEFESA DE CONTRIBUINTES QUE NÃO SE CONFUNDE COM DEFESA DE
CONSUMIDORES ? ENTENDIMENTO CONSOLIDADO NA ASSENTADA DE 26.9.2006
(RESP 855.691-DF).
1. Diz o parágrafo único do art. 1º da Lei da Ação Civil Pública
(Lei n. 7.347/85): "Não será cabível ação civil pública para
veicular pretensões que envolvam tributos, contribuições
previdenciárias, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou
outros fundos de natureza institucional cujos beneficiários podem
ser individualmente determinados."
2. O pressuposto de nulificação do TARE diz respeito à pretensão
tributária, o que é vedado ao Ministério Público objetivar por meio
da ação civil pública. Interesses de contribuintes não se confundem
com os de consumidores. Precedentes.
3. "A premissa do pedido do Ministério Público de que a estratégia
fiscal, por via oblíqua, atinge os demais contribuintes, revelando
interesses transindividuais violados, é exatamente a que inspirou o
legislador a vetar a legitimatio do Parquet com alteração do
parágrafo único do art. 1º da Lei da Ação Civil Pública, que o
deslegitima a veicular pretensões que envolvam tributos. (Art. 1º §
único da Lei 7.347/85, com a redação dada pela Medida Provisória
2.180/2001)" (REsp 691.574/DF, Min. Luiz Fux, DJ 17.4.2006).
4. No tocante à divergência jurisprudencial, tem-se que formalmente
encontram-se colmatadas às exigências do art. 255 do RISTJ e do art.
541, parágrafo único, do CPC. Todavia, aplica-se a Súmula 83/STJ.
Jurisprudência pacificada no julgamento do REsp 845.034/DF, afetado
à Primeira Seção, Rel. Min. José Delgado.
Recurso especial parcialmente conhecido e improvido.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior
Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, conheceu parcialmente
do recurso e, nessa parte, negou-lhe provimento, nos termos do voto
do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)." Os Srs. Ministros Herman
Benjamin, Eliana Calmon, João Otávio de Noronha e Castro Meira
votaram com o Sr. Ministro Relator.