AGARESP
Processo Sem Classe
Processo nº 277706
ID do Registro
#69779d5995989
201202746916
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OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO)
2017-08-31
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2016-09-22
Não categorizado
Ementa
DIREITO SANCIONADOR. AGRAVO REGIMENTAL EM ARESP. AÇÃO CIVIL PÚBLICA
AJUIZADA PELO MP/RS EM DESFAVOR DE EX-PREFEITO DO MUNICÍPIO DE SÃO
FRANCISCO DE PAULA/RS, AO ARGUMENTO DE QUE O ENTÃO ALCAIDE PROMOVEU
CONTRATAÇÃO DE AGENTES PÚBLICOS TEMPORÁRIOS E PARA CARGOS EM
COMISSÃO COM DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS, MOTIVO PELO QUAL
TERIA INCORRIDO EM OFENSA AOS MAIS CAROS PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS,
CONDUTA QUE SE AMOLDARIA AO ART. 11, I (PRATICAR ATO VISANDO A FIM
PROIBIDO EM LEI) DA LEI 8.429/92. PROCLAMAÇÃO DE IMPROCEDÊNCIA
PRETENSIVA PELA DECISÃO AGRAVADA, EM VIRTUDE DA EXISTÊNCIA DE PRÉVIA
LEI MUNICIPAL AUTORIZADORA. PRETENSÃO DO ÓRGÃO ACUSADOR, NO AGRAVO
REGIMENTAL, DE RECONHECIMENTO DO RÓTULO DE IMPROBIDADE À CONDUTA.
CONTUDO, AS CONCLUSÕES DO JULGADO UNIPESSOAL ESTÃO EM SINTONIA COM A
ORIENTAÇÃO DESTA CORTE SUPERIOR DE QUE NÃO CARACTERIZA ATO DE
IMPROBIDADE A CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA DE SERVIDORES SEM CONCURSO,
QUANDO EXISTENTE LEI LOCAL COM TAL PREVISÃO: AGRG NO ARESP
747.468/MS, REL. MIN. BENEDITO GONÇALVES, DJE 24.2.2016; RESP
1.231.150/MG, REL. MIN. HERMAN BENJAMIN, DJE 12.4.2012; AGRG NO AG
1.324.212/MG, REL. MIN. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJE 13.10.2010.
ADEMAIS, NÃO EVIDENCIADA A MALEFICÊNCIA NOS ATOS DO DEMANDADO, NÃO
SE CONSUBSTANCIA OFENSA A PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS, AFASTANDO-SE
AS SANÇÕES DA LEI 8.429/92. AGRAVO REGIMENTAL DO ÓRGÃO ACUSADOR
DESPROVIDO.
1. Não consubstancia ato ímprobo previsto no art. 11 da Lei 8.429/92
a contratação de servidores sem concurso público baseada em
legislação municipal, por ser difícil identificar a presença do
elemento subjetivo necessário à caracterização do ato de improbidade
violador dos princípios da administração pública (AgRg no AREsp.
747.468/MS, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe 24.2.2016).
2. Para a condenação por ato de improbidade administrativa, é
preciso que o Órgão Acusador desenlace dos fatos narrados o intuito
malévolo do Alcaide em solapar os princípios basilares
administrativos, sendo certo que este Tribunal Superior, em
situações semelhantes, entende ser difícil identificar a presença do
dolo do implicado, mesmo que genérico - porquanto essencial à
submissão do agente às iras da Lei 8.429/92 -, se sua conduta estava
amparada em Lei Municipal que, ainda que de constitucionalidade
duvidosa, autorizava a contratação temporária dos servidores
públicos (AgRg no AgRg no REsp. 1.191.095/SP, Rel. Min. HUMBERTO
MARTINS, DJe 25.11.2011; AgRg no Ag 1.324.212/MG, Rel. Min. MAURO
CAMPBELL MARQUES, DJe 13.10.2010; REsp. 1.231.150/MG, Rel. Min.
HERMAN BENJAMIN, DJe 12.4.2012).
3. Na hipótese, as condutas do então Alcaide de São Francisco de
Paula/RS se ancoraram nas Leis 2.226/05, 2.391/06 e 2.405/06, todas
da urbe gaúcha, sobre as quais não se tem notícia de declaração de
inconstitucionalidade, de modo que, na esteira dos precedentes desta
Corte Superior, não se mostra possível a identificação do dolo do
Agente Público em menosprezar a probidade administrativa à presença
de prévia Lei Municipal autorizadora.
4. A decisão agravada representa o estado da arte
jurídico-científica no tema ao afirmar que a só existência de lei
municipal, dando respaldo a atuação do prefeito, retira o dolo da
sua conduta, sendo este um elemento de ordem subjetiva cuja ausência
não permite a configuração do ato de improbidade; por essa razão, o
julgado recorrido não merece reproche algum.
5. Agravo Regimental do Órgão Acusador desprovido.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da
Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos
votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo o julgamento,
após o voto-vista do Sr. Ministro Benedito Gonçalves, por maioria,
vencida a Sra. Ministra Regina Helena Costa, negar provimento ao
Agravo Regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Lavrará o ACÓRDÃO o Sr. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho (RISTJ,
art. 52, IV, "b") Os Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho,
Benedito Gonçalves (voto-vista) e Sérgio Kukina (Presidente) votaram
com o Sr. Ministro Relator.