REsp
Recurso Especial
Processo nº 1402475
ID do Registro
#69779d598e96f
201302992294
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HERMAN BENJAMIN
2017-06-28
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2017-05-09
Não categorizado
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO MORAL COLETIVO. SERVIÇO
BANCÁRIO. TEMPO DE ESPERA EM FILA SUPERIOR A 15 OU 30 MINUTOS.
DESRESPEITO A DECRETO MUNICIPAL RECONHECIDO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM.
INTRANQUILIDADE SOCIAL E FALTA DE RAZOABILIDADE EVIDENCIADAS. DANO
MORAL COLETIVO CONFIGURADO. VIOLAÇÃO AO ART. 6º, VI, DO CÓDIGO DE
DEFESA DO CONSUMIDOR.
1. O Tribunal de origem, embora ateste a recalcitrância da parte
recorrida no cumprimento da legislação local, entendeu que
ultrapassar o tempo máximo para o atendimento ao consumidor, por si,
não provoca danos coletivos, visto que o dano moral indenizável não
se caracteriza pelo desconforto, dissabor ou aborrecimento advindos
das relações intersubjetivas do dia a dia, porquanto comuns a todos
e incapazes de gerar dor ou atingir a dignidade da pessoa humana
(fl. 709/e-STJ).
2. O STJ já estabeleceu as premissas para o reconhecimento do dano
moral coletivo, não havendo que indagar - para a apreciação desse
dano - sobre a capacidade, ou não, de o fato gerar dor ou atingir a
dignidade da pessoa humana.
3. "O dano extrapatrimonial coletivo prescinde da comprovação de
dor, de sofrimento e de abalo psicológico, suscetíveis de apreciação
na esfera do indivíduo, mas é inaplicável aos interesses difusos e
coletivos". (REsp 1.057.274/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda
Turma, DJe 26.2.2010) 4. "O dano moral coletivo é a lesão na esfera
moral de uma comunidade, isto é, a violação de direito
transindividual de ordem coletiva, valores de uma sociedade
atingidos do ponto de vista jurídico, de forma a envolver não apenas
a dor psíquica, mas qualquer abalo negativo à moral da coletividade,
pois o dano é, na verdade, apenas a consequência da lesão à esfera
extrapatrimonial de uma pessoa."
(REsp 1.397.870/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda
Turma, DJe 10.12.2014). 5. Se, diante do caso concreto, for possível
identificar situação que importe lesão à esfera moral de uma
comunidade - isto é, violação de direito transindividual de ordem
coletiva, de valores de uma sociedade atingidos sob o ponto de vista
jurídico, de forma a envolver não apenas a dor psíquica, mas
qualquer abalo negativo à moral da coletividade - exsurge o dano
moral coletivo. Precedentes: EDcl no AgRg no AgRg no REsp
1.440.847/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma,
julgado em 7.10.2014, DJe 15.10.2014; REsp 1.269.494/MG, Rel.
Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 24.9.2013, DJe
1º.10.2013; REsp 1.367.923/RJ, Rel. Ministro Humberto Martins,
Segunda Turma, julgado em 27.8.2013, DJe 6.9.2013; REsp
1.197.654/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado
em 1º.3.2011, DJe 8.3.2012. 6. Na hipótese dos autos, a
intranquilidade social decorrente da excessiva demora no atendimento
ao consumidor dos serviços bancários é evidente, relevante e
intolerável no Município afetado. Conquanto incontroversa a
insatisfação da população local, a parte recorrida permaneceu - e
quiçá ainda permanece - recalcitrante. Reverbera, por conseguinte, a
violação ao art. 6º, VI, da Lei Consumerista, devendo a parte
recorrida ser condenada por dano moral coletivo.
7. No que diz respeito ao arbitramento dos danos morais, compete à
Corte a quo a sua fixação, observando o contexto fático-probatório
dos autos e os critérios de moderação e proporcionalidade.
Precedentes: AgRg no REsp 1.488.468/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell
Marques, Segunda Turma, julgado em 24.3.2015, DJe 30.3.2015; AgRg no
Ag 884.139/SC, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma,
julgado em 18.12.2007, DJ 11.2.2008, p. 112) 8. Recurso Especial
provido, determinando-se a devolução dos autos à Corte de origem
para arbitramento do valor dos danos morais coletivos.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior
Tribunal de Justiça: ""Prosseguindo-se no julgamento, após o
voto-vista regimental do Sr. Ministro Herman Benjamin, dando
provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Srs. Ministros
Og Fernandes, Mauro Campbell Marques e Assusete Magalhães, a Turma,
por unanimidade, deu provimento ao recurso, nos termos do voto do
Sr. Ministro-Relator."
Os Srs. Ministros Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Assusete
Magalhães (Presidente) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro
Relator."