AERESP
Processo Sem Classe
Processo nº 1249118
ID do Registro
#69779d5983ef7
201100530710
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NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO
2017-04-19
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2017-04-05
Não categorizado
Ementa
DIREITOS SANCIONADOR E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS
EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. DECISÃO MONOCRÁTICA DO RELATOR QUE, EM
JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE, FEZ INCIDIR À PRESENTE DEMANDA A
INTELIGÊNCIA DA SÚMULA 168/STJ, À CONSIDERAÇÃO DE QUE AS CONCLUSÕES
ASSEVERADAS NO JULGADO EMBARGADO NÃO SE APARTAM DA COMPREENSÃO
FIRMADA POR ESTA CORTE SUPERIOR EM NUMEROSOS PRECEDENTES. A
ARGUMENTAÇÃO INSERTA NO AGRAVO REGIMENTAL, CONDUCENTE À TESE DE QUE
A COMPETÊNCIA JURISDICIONAL DEFINIRIA A ATRIBUIÇÃO PRÓPRIA DO
MINISTÉRIO PÚBLICO, NÃO COMPÕE A BASE DIALÉTICA NECESSÁRIA E
SUFICIENTE PARA INFIRMAR A DECISÃO AGRAVADA, JUSTAMENTE POR NÃO
DEMONSTRAR QUE A ASSERTIVA REPRESENTA O ESTADO DA ARTE DO
ENTENDIMENTO DESTE SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO TEMA, RAZÃO PELA
QUAL DEVE SER MANTIDO JUÍZO NEGATIVO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO
FUNDADO EM DIVERGÊNCIA DE JULGADOS, DISSONÂNCIA ESTA QUE SE REPUTA
INEXISTENTE NA ESPÉCIE. AGRAVO REGIMENTAL DA PARTE IMPLICADA
DESPROVIDO.
1. Esta Corte Superior firmou a compreensão, já plasmada no
enunciado 168 da Súmula de Jurisprudência, de que não cabem embargos
de divergência quando a jurisprudência do tribunal se firmou no
sentido do acórdão embargado.
2. Na espécie, verifica-se que inúmeros julgados desta Corte
Superior - submetidos à crítica científica de exprimentados
julgadores e por ela forjados - apontam para a compreensão de que a
presença do Ministério Público Federal, órgão da União, na relação
jurídica processual como autor faz competente a Justiça Federal para
o processo e julgamento da ação (competência ratione personae),
afirmação contrariada pela parte agravante pelo argumento de que a
competência jurisdicional definiria a atribuição própria do
Ministério Público e não o contrário (fls. 2.298), sem demonstrar
que a assertiva representa o estado da arte das conclusões deste
Tribunal Superior no tema.
3. Se, pelas circunstâncias dos autos, a iniciativa judicial foi
promovida pelo Ministério Público Federal, dúvida não há de que a
competência automaticamente se define, uma vez que somente a Justiça
Federal está constitucionalmente habilitada a proferir sentença que
vincule tal órgão, ainda que seja sentença negando a sua legitimação
ativa (CC 40534/RJ, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASKI, DJ de 17.05.04).
4. No acórdão embargado, registra-se aspecto conducente ao fato de
que a Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa foi ajuizada
pelo Ministério Público Federal, o que, nos termos dos precedentes
desta Corte Superior, é suficiente para firmar a competência da
Justiça Federal (fls. 1.301). Como dito, referido entendimento não
se aparta dos julgados desta Corte Superior, circunstância pela qual
incide à hipótese, sem dúvida alguma, o mencionado verbete sumular.
5. Agravo Regimental da parte implicada desprovido.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da
Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos
votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar
provimento ao agravo, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Jorge Mussi, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques,
Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Felix Fischer, Nancy Andrighi, João
Otávio de Noronha, Humberto Martins, Maria Thereza de Assis Moura e
Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator.
Ausentes, justificadamente, os Srs. Ministros Francisco Falcão e
Luis Felipe Salomão.