HC
Habeas Corpus
Processo nº 216570
ID do Registro
#69779d5925ad7
201101996107
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JORGE MUSSI
2013-09-18
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2013-09-10
Não categorizado
Ementa
HABEAS CORPUS. CRIME DE RESPONSABILIDADE DE PREFEITO (ARTIGO 1º,
INCISO I, 2ª PARTE, DO DECRETO-LEI 201/1967 E ARTIGO 10 DA LEI
7.347/1985). INÉPCIA DA DENÚNCIA. PEÇA INAUGURAL QUE ATENDE AOS
REQUISITOS LEGAIS EXIGIDOS E DESCREVE CRIME EM TESE. AMPLA DEFESA
GARANTIDA. INÉPCIA NÃO EVIDENCIADA.
1. Não pode ser acoimada de inepta a denúncia formulada em
obediência aos requisitos traçados no artigo 41 do Código de
Processo Penal, descrevendo perfeitamente as condutas típicas, cuja
autoria é atribuída ao paciente devidamente qualificado,
circunstâncias que permitem o exercício da ampla defesa no seio da
persecução penal, na qual se observará o devido processo legal.
2. No caso dos autos, consoante narrado pelo órgão ministerial, a
paciente, na qualidade de prefeita municipal, teria desviado
dinheiro público ao firmar convênios com entidades religiosas,
mesmo
sabendo que o seu objeto, qual seja, a capacitação e qualificação
de
pessoas carentes da comunidade, não se realizaria.
3. A acusada teria, ainda, deixado de fornecer informações técnicas
requisitadas pelo Ministério Público Estadual, que seriam
necessárias à propositura de ação civil pública.
4. A paciente não foi denunciada pelo simples fato de ser prefeita
municipal, mas porque os ilícitos descritos na inicial teriam sido
por ela praticados no exercício da chefia do Poder Executivo do
Município de São Gonçalo, circunstância que afasta por completo a
alegação de que se estaria diante de responsabilidade penal
objetiva.
TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. FALTA DE JUSTA CAUSA. AUSÊNCIA DE
PROVAS.
FALTA DE DOLO. ACÓRDÃO OBJURGADO EM CONSONÂNCIA COM A
JURISPRUDÊNCIA
DESTE SODALÍCIO. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. VIA INADEQUADA.
INEXISTÊNCIA DE COAÇÃO ILEGAL A SER SANADA NA OPORTUNIDADE.
DENEGAÇÃO DA ORDEM.
1. Em sede de habeas corpus somente deve ser obstada a ação penal
se restar demonstrada, de forma indubitável, a ocorrência de
circunstância extintiva da punibilidade, a ausência de indícios de
autoria ou de prova da materialidade do delito, e ainda, a
atipicidade da conduta.
2. Estando a decisão impugnada em total consonância com o
entendimento jurisprudencial firmado por este Sodalício, não há o
que se falar em trancamento da ação penal, pois, de uma superficial
análise dos elementos probatórios contidos no presente mandamus,
não
se vislumbra estarem presentes quaisquer das hipóteses que
autorizam
a interrupção prematura da persecução criminal por esta via, já que
seria necessário o profundo estudo das provas, as quais deverão ser
oportunamente valoradas pelo juízo competente.
3. Ordem denegada.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da
Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos
votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, denegar a
ordem. Os Srs. Ministros Marco Aurélio Bellizze, Moura Ribeiro,
Regina Helena Costa e Laurita Vaz votaram com o Sr. Ministro
Relator.