REsp
Recurso Especial
Processo nº 1106887
ID do Registro
#69779d5923d7b
200802664930
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RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA
2013-08-27
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2013-08-15
Não categorizado
Ementa
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DIREITO DO CONSUMIDOR.
NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ART. 535 DO CPC. NÃO
OCORRÊNCIA. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO QUE OPERAM PLANOS
DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. AUTORIZAÇÃO DE FUNCIONAMENTO. NECESSIDADE DE
REGISTRO PERANTE OS CONSELHOS REGIONAIS DE MEDICINA OU DE
ODONTOLOGIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 282/STF.
INTERPRETAÇÃO DE NORMA INSERTA EM RESOLUÇÃO NORMATIVA.
INVIABILIDADE. DISPOSIÇÕES DE OFÍCIO. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DO
"TANTUM DEVOLUTUM QUANTUM APPELLATUM" E DA PROIBIÇÃO DA "REFORMATIO
IN PEJUS".
1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal
de origem motiva adequadamente sua decisão, solucionando a
controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à
hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte.
2. As pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de
assistência à saúde, seja em que modalidade for, estão submetidas às
disposições contidas na Lei nº 9.656/98 que, em seu artigo art. 8º,
inciso I, exige registro nos Conselhos Regionais de Medicina ou de
Odontologia como condição para obter autorização de funcionamento.
3. Ausente o prequestionamento de dispositivos apontados como
violados no recurso especial, sequer de modo implícito, incide o
disposto na Súmula nº 282/STF.
4. As resoluções, ainda que tenham caráter normativo, não se
enquadram no conceito de lei federal inserido no art. 105, inciso
III, alínea "a", da Constituição Federal.
5. Ofende os princípios do "tantum devolutum quantum appellatum" e
da proibição da "reformatio in pejus" a alteração da sentença de
primeiro grau, de ofício, pelo Tribunal local com fundamento no
artigo 51 do Código de Defesa do Consumidor, ainda que se trate de
relação amparada pelo Código de Defesa do Consumidor.
6. Recurso especial parcialmente provido.
Decisão Completa
Vistos e relatados estes autos, em que são partes as acima
indicadas, decide A Terceira Turma, por unanimidade, dar parcial
provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro
Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha e
Sidnei Beneti votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente,
justificadamente, o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.