EDARESP
Processo Sem Classe
Processo nº 39360
ID do Registro
#69779d58ea03f
201102029021
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BENEDITO GONÇALVES
2012-03-02
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2012-02-28
Não categorizado
Ementa
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO
EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO INTEGRATIVO CONHECIDO COMO AGRAVO
REGIMENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PROTEÇÃO DE CONJUNTO ARQUITETÔNICO
TOMBADO. MUNICÍPIO DE DIAMANTINA-MG. AUTORIZAÇÃO DO IPHAN PARA A
CONSTRUÇÃO DE UM PRÉDIO DE DOIS PAVIMENTOS. ACRÉSCIMO DE MAIS UM
PAVIMENTO POR CONTA DO PROPRIETÁRIO, SEM AUTORIZAÇÃO. ACÓRDÃO
RECORRIDO QUE CONCLUIU PELA INEXISTÊNCIA DO CONJUNTO ARQUITETÔNICO A
SER PROTEGIDO E ENTENDEU PELA IMPOSSIBILIDADE DE DEMOLIÇÃO DA OBRA.
ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 18 DO DL N. 25/1937. PRETENSÃO RECURSAL
RELACIONADA À TESE DE QUE A SIMPLES AUSÊNCIA DA AUTORIZAÇÃO DARIA
RESPALDO À DEMOLIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA NORMA VINCULADA
À SITUAÇÃO FÁTICA. NECESSIDADE DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA
N. 7 DO STJ.
1. O recurso especial que se quer admitido foi interposto contra
acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, no
qual se entendeu que a só ausência de autorização do Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN para a construção
do terceiro andar de edifício, cuja construção fora autorizada até o
segundo pavimento, não é causa que autoriza sua demolição,
porquanto, conforme as provas constantes dos autos, não teria havido
ofensa à harmonia estética e arquitetônica do conjunto arquitetônico
protegido nem óbice à visibilidade de bem tombado.
2. Alega-se violação do art. 18 do Decreto-Lei n. 25/1937, ao
argumento de que, nas construções realizadas nas vizinhanças de
coisa tombada, a ausência de autorização do Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional - IPHAN para a realização da
respectiva obra é fato que enseja sua demolição. Suscita-se que "não
cabe ao Judiciário, desconsiderando a postura do administrador,
autorizar a obra, por via transversa, possibilitando a sua
manutenção simplesmente por entender que não há afronta ao Conjunto
Arquitetônico tombado; a avaliação acerca da viabilidade ou não da
obra, em cotejo com o patrimônio tombado, incumbe única e
exclusivamente à autoridade administrativa competente" (fl. 408).
3. A demolição resultante da ausência de autorização do IPHAN,
prevista no art. 18 do DL n. 25, de 30 de novembro de 1937, depende
do contexto fático no qual está inserida a obra que se avizinha a
bem tombado. Para que seja legítima, deve haver óbice à visibilidade
da coisa tombada ou a descaracterização do conjunto arquitetônico
protegido.
4. Isso considerado, não se pode ignorar, mormente em sede de
recurso especial, a situação fática delineada pelo acórdão do
Tribunal de origem, que deixou claro, mediante análise das provas
juntadas aos autos, que, no caso, não há conjunto arquitetônico que
mereça ser protegido ou ter a visibilidade assegurada. Aliás, o
acórdão é ainda mais preciso ao consignar que "as fotos de vista
panorâmica as fls. 141/142 são ainda mais eloqüentes, pois não se
consegue ver em que o imóvel do Apelante destoaria do resto do
Conjunto".
5. Percebe-se, assim, que a verificação da procedência da pretensão
recursal encontra mesmo óbice na Súmula n. 7 do STJ, pois, na
estreita via do recurso especial, não há como se constatar a
existência de conjunto arquitetônico que o acórdão a quo concluiu
não existir nem, de outro lado, verificar se o terceiro pavimento da
obra em questão, eventualmente, pode descaracterizá-lo ou impedir ou
reduzir sua visibilidade.
6. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, não
provido.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior
Tribunal de Justiça, por unanimidade, receber os embargos de
declaração como agravo regimental e negar-lhe provimento, nos termos
do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino
Zavascki e Napoleão Nunes Maia Filho votaram com o Sr. Ministro
Relator.
Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão.
Licenciado o Sr. Ministro Arnaldo Esteves Lima.