AINTARESP
Processo Sem Classe
Processo nº 1171904
ID do Registro
#69779d58e2b41
201702232760
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ASSUSETE MAGALHÃES
2018-03-09
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2018-02-27
Não categorizado
Ementa
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. ALEGAÇÃO DE NEGATIVA
DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. RAZÕES DO AGRAVO QUE NÃO IMPUGNAM,
ESPECIFICAMENTE, A DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. ART. 9º DA LEI
8.429/92. APROPRIAÇÃO DE PEÇAS DE VEÍCULOS DA PREFEITURA. ACÓRDÃO
RECORRIDO QUE, EM FACE DOS ELEMENTOS DE PROVA DOS ATOS, CONCLUIU
PELA COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO E PELA CONFIGURAÇÃO DE ATO DE
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO
INTERNO PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESSA PARTE, IMPROVIDO.
I. Agravo interno aviado contra decisão monocrática publicada em
07/11/2017, que julgara recurso interposto contra decisum publicado
na vigência do CPC/2015.
II. Interposto Agravo interno com razões que não impugnam,
especificamente, os fundamentos da decisão agravada - mormente
quanto à inexistência de negativa de prestação jurisdicional -, não
prospera o inconformismo, quanto ao ponto, em face da Súmula 182
desta Corte. III. No acórdão objeto do Recurso Especial, o Tribunal
de origem julgou procedente o pedido, em Ação Civil Pública ajuizada
pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, na qual postula a
condenação do ora agravante, ex-Prefeito de Descalvado/SP, e de
outros réus, pela prática de ato de improbidade administrativa. Nos
termos da inicial, o ato ímprobo consistiu na retirada de peças de
caminhões, do almoxarifado da Prefeitura, e sua remoção para
estabelecimento de propriedade do agravante.
IV. Quanto à alegada ofensa ao art. 9º, XI, da Lei 8.429/92, o
acórdão recorrido, mediante exame do conjunto probatório dos autos,
concluiu que "a prova demonstra que o réu não se houve com
necessária probidade que dele se esperava como prefeito;
apropriou-se mesquinhamente de peças usadas para seu próprio
comércio. E quando notou que a situação estava fora de controle
procurou encobri-la, mas o mal feito já estava consumado e viera à
tona".
V. Nos termos em que a causa foi decidida, infirmar os fundamentos
do acórdão recorrido - para acolher a pretensão do agravante e
afastar sua condenação pela prática de ato de improbidade
administrativa, por não terem sido comprovados o elemento subjetivo,
em sua conduta, ou o seu enriquecimento ilícito - demandaria o
reexame de matéria fática, o que é vedado, em Recurso Especial, nos
termos da Súmula 7/STJ. Nesse sentido: STJ, AgRg no AREsp
210.361/PE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de
01/06/2016; AgRg no AREsp 666.459/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES,
SEGUNDA TURMA, DJe de 30/06/2015; AgRg no AREsp 535.720/ES, Rel.
Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 06/04/2016.
VI. Agravo interno parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior
Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer em parte do agravo
interno e, nessa parte, negar-lhe provimento, nos termos do voto da
Sra. Ministra Relatora.
Os Srs. Ministros Herman Benjamin (Presidente), Og Fernandes e Mauro
Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora.
Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão.