AGARESP
Processo Sem Classe
Processo nº 314200
ID do Registro
#69779d58d39c9
201300731857
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BENEDITO GONÇALVES
2018-08-14
-
2018-08-02
Não categorizado
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/1973. ACÓRDÃO ARRIMADO NO
CENÁRIO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE.
SÚMULA 7/STJ. ACÓRDÃO ASSENTADO EM FUNDAMENTAÇÃO CONSTITUCIONAL.
INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. IMPOSSIBILIDADE DE HAVER CONDENAÇÃO EM
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM SEDE DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA.
1. Nos termos do que decidido pelo Plenário do STJ, "[a]os recursos
interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões
publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos
de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações
dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça"
(Enunciado Administrativo n. 2). 2. A violação do art. 535 do
CPC/1973 não se configura quando o Tribunal de origem, embora
sucintamente, pronuncia-se de forma clara e motivada sobre a questão
posta nos autos. 3. O Tribunal a quo, soberano na análise do cenário
fático-probatório dos autos, entendeu ser suficiente o conjunto das
provas constante dos autos para o julgamento da lide. O acolhimento
da pretensão recursal em sentido contrário, que leve à modificação
do julgado, demanda a reapreciação do arcabouço probatório existente
no processo, o que é vedado em recurso especial em virtude do
preceituado na Súmula n. 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de
provas não enseja recurso especial".
4. A controvérsia relativa aos arts. 480, 481 e 482 do CPC/1973 foi
dirimida com fundamento constitucional, especificamente com base nos
artigos 37, XXI, e 175 da Constituição Federal, de modo que o
recurso especial é inviável quanto ao ponto, sob pena de se usurpar
a competência reservada pela Constituição ao Supremo Tribunal
Federal.
5. À luz do princípio da simetria, a jurisprudência do STJ é assente
no sentido de que o art. 18 da Lei 7.347/1985 também se aplica ao
réu em sede de ação civil pública, não podendo ser condenado ao
pagamento de honorários advocatícios a título de sucumbência, salvo
se houver comprovação de má-fé, o que não se verifica no caso em
foco. Precedentes: AgInt no AREsp 996.192/SP, Relator Ministro
Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 30/8/2017; AgInt no AREsp
432.956/RJ, Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira
Turma, DJe 9/3/2018; e AgInt no REsp 1.531.578/CE, Relatora Ministra
Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 24/11/2017.
6. Agravo regimental da empresa parcialmente provido, apenas para
excluir a condenação em honorários advocatícios.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior
Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar parcial provimento ao
agravo regimental da Coesa Transportes Ltda, apenas para excluir a
condenação em honorários advocatícios, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena
Costa (Presidente), Gurgel de Faria e Napoleão Nunes Maia Filho
votaram com o Sr. Ministro Relator.