REsp
Recurso Especial
Processo nº 1435628
ID do Registro
#69779d58a9cdf
201303717466
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HUMBERTO MARTINS
2014-08-15
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2014-08-05
Não categorizado
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO DO ADVOGADO.
CERCEAMENTO
DE DEFESA. SÚMULA 7/STJ. NÃO CONFIGURAÇÃO DE NULIDADE. JULGAMENTO
ANTECIPADO DA LIDE. POSSIBILIDADE. RELEVÂNCIA DA PROVA REQUISITADA.
INVIABILIDADE DE ANÁLISE. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. AÇÃO CIVIL
PÚBLICA. UTILIZAÇÃO DA MÁQUINA PÚBLICA PARA PROMOÇÃO PESSOAL.
PROPAGANDA ELEITORAL. DANO AO ERÁRIO. SÚMULA 7/STJ.
1. O tribunal rechaçou a alegação de cerceamento de defesa com base
na análise das questões fáticas ocorridas no iter processual, o que
torna a via do recurso especial inadequada a modificação do
julgado,
a teor do disposto na Súmula 7/STJ.
2. Não configura cerceamento de defesa o indeferimento de vista
fora
do cartório se assegurado ao interessado que proceda a vista na
serventia. Precedentes.
3. Consoante jurisprudência desta Corte, não há cerceamento do
direito de defesa quando o juiz tem o poder-dever de julgar a lide
antecipadamente, dispensando a realização de audiência para a
produção de provas ao constatar que o acervo documental é
suficiente
para nortear e instruir seu entendimento.
4. Insuscetível de revisão, nesta via recursal, o entendimento do
tribunal de origem que, com base nos elementos de convicção do
autos, entendeu que não ocorrera cerceamento de defesa com o
julgamento antecipado da lide, pois isso demanda a reapreciação de
matéria fática, o que é obstado pela Súmula 7/STJ.
5. O tribunal de origem, corroborando o entendimento sentencial,
reconheceu que os recorrentes, utilizando-se de verba pública,
promoveram ações para impulsionar campanha eleitoral de candidato
apoiado pelo então prefeito, descrevendo detalhadamente as posturas
ímprobas dos recorrentes, individualizando, inclusive, a atuação de
cada recorrente para a efetivação do dano ao erário.
6. A tipificação da conduta do réu nas hipóteses do art. 10 da LIA
requer, quanto ao critério subjetivo, tão somente a culpa.
Precedentes.
7. Com base nas premissas fáticas delineadas pelo tribunal de
origem, observa-se a constatação da atuação dolosa por parte de
ambos os recorrentes, visando o então prefeito promover a eleição
de
seu sucessor. Neste diapasão, a reversão do julgado quanto à
configuração da prática de ato de improbidade e o consequente dever
de ressarcir os cofres públicos, como estabelecido no acórdão a
quo,
demandaria incursão na seara fática dos autos, inviável em sede de
recurso especial, ante o óbice da Súmula 7 do STJ.
Recursos especiais improvidos.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA Turma do Superior
Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, negou provimento aos
recursos, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)."
Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell
Marques (Presidente) e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro
Relator.
Dr(a). CAROLINA DE JESUS MÜLLER, pela parte RECORRENTE: NORIVAL DA
SILVEIRA DINIZ