AIRESP
Processo Sem Classe
Processo nº 1407522
ID do Registro
#69779d5896edd
201303260920
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NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO
2019-04-23
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2019-04-09
Não categorizado
Ementa
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO
ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA.
VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/1973. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO. OFICIAL
DE JUSTIÇA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO GRANDE DO SUL. RECEBIMENTO
DE VANTAGEM INDEVIDA PAGA POR ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA. EXISTÊNCIA DE
DOLO GENÉRICO. CONDUTA QUE SE CARACTERIZA COMO ÍMPROBA. REVISÃO DAS
SANÇÕES APLICADAS. INVIABILIDADE. SÚMULA 7/STJ. RECEBIMENTO DE
GRATIFICAÇÃO IMPRÓPRIA. ART. 19 DO CPC/73. EXCLUDENTE DE ILICITUDE.
NÃO CONFIGURAÇÃO.
1. Afasta-se a violação ao artigo 535 do CPC/1973, porquanto o
acórdão recorrido se manifestou de forma clara e fundamentada sobre
todos os aspectos necessários ao deslinde da questão.
2. O entendimento atual de ambas as Turmas da Primeira Seção
sedimentou-se no sentido de que a conduta analisada nos autos -
recebimento de vantagem indevida por oficiais de justiça para o
cumprimento de diligências - constitui improbidade administrativa.
Precedentes: REsp 1.411.864/RS, Relator Ministro Napoleão Nunes Maia
Filho, Relator p/ Acórdão Ministro Benedito Gonçalves, Primeira
Turma, DJe 21/5/2018; AgInt no REsp 1.286.783/RS, Relator Ministro
Sérgio Kukina, DJe 8/3/2018; AgRg no REsp 1.192.522/RS, Relator
Ministro Gurgel de Faria, DJe 21/11/2017; AgRg no REsp 1.286.636/RS,
Relatora Ministra Regina Helena Costa, DJe 23/11/2016; AgInt no REsp
1.544.128/RS, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda
Turma, DJe 14/10/2016; AgRg no AREsp 31.033/RS, Relator Ministro
Herman Benjamin, DJe 15/04/2014.
3. Com base no conjunto fático-probatório constante dos autos, o
Tribunal de origem atestou a prática de ato de improbidade
administrativa previsto nos arts. 9º e 11 da Lei 8.429/1992, diante
da presença do elemento subjetivo (dolo). Assim, a reversão do
entendimento exarado no acórdão exige o reexame de matéria
fático-probatória, o que é vedado em sede de recurso especial, nos
termos da Súmula 7/STJ.
4. É firme a jurisprudência desta Corte no sentido de que a revisão
da dosimetria das sanções aplicadas em ação de improbidade
administrativa implica reexame do conjunto fático-probatório dos
autos, encontrando óbice na súmula 7/STJ, salvo se da leitura do
acórdão recorrido exsurge a desproporcionalidade na aplicação das
sanções, o que não é a hipótese dos autos.
5. Conforme decidido no AgInt no REsp 1.386.936/RS, Rel. Ministra
Regina Helena Costa, "É firme o entendimento do STJ no sentido de
que não configura excludente de ilicitude a previsão do pagamento de
custas constante no art. 19 do CPC/73, verificando-se, inclusive, a
má-fé, decorrente tanto do recebimento como do pagamento de valores
sem previsão legal."
(AgInt no REsp 1.386.936/RS, Rel. Ministra Regina Helena Costa,
Segunda Turma, DJe 28/02/2019) 6. Agravo interno provido.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior
Tribunal de Justiça, por maioria, vencido o Sr. Ministro Relator,
dar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro
Benedito Gonçalves, que lavrará o acórdão. Votaram com o Sr.
Ministro Benedito Gonçalves os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina
Helena Costa (Presidente) e Gurgel de Faria.