AIEDRESP
Processo Sem Classe
Processo nº 1719149
ID do Registro
#69779d5881d5a
201800096932
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OG FERNANDES
2019-09-24
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2019-09-19
Não categorizado
Ementa
PROCESSO CIVIL. AMBIENTAL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
NO RECURSO ESPECIAL. DANOS AMBIENTAIS EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO
PERMANENTE. AUSÊNCIA DE INSTITUIÇÃO DE ÁREA DE RESERVA LEGAL.
APLICABILIDADE DO NOVO CÓDIGO FLORESTAL. SITUAÇÕES PRETÉRITAS.
IMPOSSIBILIDADE. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. De acordo com a
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "o novo Código
Florestal não pode retroagir para atingir o ato jurídico perfeito,
os direitos ambientais adquiridos e a coisa julgada, tampouco para
reduzir de tal modo e sem as necessárias compensações ambientais o
patamar de proteção de ecossistemas frágeis ou espécies ameaçadas de
extinção, a ponto de transgredir o limite constitucional intocável e
intransponível da 'incumbência' do Estado de garantir a preservação
e a restauração dos processos ecológicos essenciais (art. 225, § 1º,
I)" (AgRg no REsp 1.434.797/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda
Turma, DJe 7/6/2016).
2. No caso, ainda que a ação civil pública tenha sido ajuizada
posteriormente, as irregularidades encontradas na propriedade
precedem a entrada em vigor do atual Código Florestal, pois a
demanda decorreu dos inquéritos civis n. 242/10 e 128/11, em que se
apurou a supressão de vegetação em áreas de preservação permanente e
a ausência de instituição de reserva legal.
3. Desse modo, em obediência ao princípio do tempus regit actum, não
é possível a aplicação do permissivo constante do art. 67 da Lei n.
12.651/2012, tampouco é admissível o cômputo das áreas de
preservação permanente na contabilização da área de reserva legal.
4. Agravo interno a que se nega provimento.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior
Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo
interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs.
Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães, Francisco
Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator.