REsp
Recurso Especial
Processo nº 1656182
ID do Registro
#69779d587c8e4
201502397132
-
NANCY ANDRIGHI
2019-10-14
-
2019-09-11
Não categorizado
Ementa
RECURSO ESPECIAL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTENTE. SUFICIÊNCIA DAS PROVAS ATESTADA
PELA ORIGEM. IMPOSIÇÃO DE MULTA MORATÓRIA EM CONTRATOS DE ADESÃO.
ENTREGA DE PRODUTOS E RESTITUIÇÃO DE VALORES PELO EXERCÍCIO DO
ARREPENDIMENTO. LIMITES DA INTERVENÇÃO ESTATAL.
1. Ação ajuizada em 14/4/10. Recurso especial interposto em
23/10/14. Autos atribuídos ao gabinete em 25/8/16. Julgamento:
CPC/73.
2. Ação civil pública em que se pretende impor obrigação à
recorrente de incluir, em seus contratos de consumo, multa de 2%
sobre o valor da venda, caso seja descumprido prazo de entrega, bem
como na hipótese de não devolução imediata do preço pelo exercício
do direito de arrependimento.
3. O propósito recursal consiste em definir: i) a configuração de
cerceamento de defesa; ii) a imposição judicial de multa moratória
contra o fornecedor em contrato de adesão de venda de produtos nas
relações do comércio varejista.
4. Não configura cerceamento de defesa o julgamento antecipado da
lide, quando as instâncias ordinárias reputarem suficientemente
instruído o processo, declarando ser desnecessária a produção de
outras provas diante daquelas já existentes nos autos.
5. A imposição de multa moratória para a hipótese de atraso no
pagamento da compra é revertida, sobretudo, em favor da instituição
financeira que dá suporte à compra dos produtos adquiridos a prazo
pelo consumidor. Sob este ângulo, sequer há reciprocidade negocial a
justificar a intervenção judicial de maneira genérica nos contratos
padronizados da recorrente.
6. O vendedor do produto está obrigado a prestar seu serviço no
tempo, lugar e forma contratados, e acaso incorra em mora deverá
responder pelos respectivos prejuízos, mais juros, atualização
monetária e honorários de advogado (arts. 394, 395, do CC).
7. É indevida a intervenção estatal para fazer constar cláusula
penal genérica contra o fornecedor de produto em contrato padrão de
consumo, pois além de violar os princípios da livre iniciativa e da
autonomia da vontade, a própria legislação já prevê mecanismos de
punição daquele que incorre em mora.
RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do
Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas
taquigráficas constantes dos autos A Seção, por maioria, dar parcial
provimento ao recurso especial para julgar improcedentes os pedidos
formulados na petição inicial, nos termos do voto da Sra. Ministra
Relatora. Vencidos os Srs. Ministros Paulo de Tarso Sanseverino,
Marco Buzzi e Moura Ribeiro.
Os Srs. Ministros Raul Araújo, Antonio Carlos Ferreira, Villas Bôas
Cueva e Marco Aurélio Bellizze votaram com a Sra. Ministra Relatora.
Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão.
Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Isabel Gallotti.
Sustentação oral pelo Dr. Celso Cintra Mori, representando a
recorrente SAINT GOBAIN DISTRIBUICAO BRASIL LTDA.