REsp
Recurso Especial
Processo nº 1547058
ID do Registro
#69779d58405b1
201303328478
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HERMAN BENJAMIN
2020-08-26
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2016-12-06
Não categorizado
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PATRIMÔNIO CULTURAL. BEM DE
VALOR HISTÓRICO. INVENTÁRIO. IMÓVEL DA DÉCADA DE VINTE. CONDENAÇÃO
POR DANO MORAL COLETIVO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC/1973 NÃO
CARACTERIZADA. ACÓRDÃO COM FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS E
INFRACONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. SÚMULA 126 DO STJ. LEI MUNICIPAL 2.449/1989.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA 280/STF. DESCARACTERIZAÇÃO DO BEM APÓS O
INVENTÁRIO. REVISÃO DO CONTEXTO FÁTICO E PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ.
1. Não se configura a ofensa ao art. 535 do CPC/1973, uma vez que o
Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a
controvérsia que lhe foi apresentada. Não é o órgão julgador
obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas
partes em defesa da tese que apresentaram.
2. Nada a acrescentar ou retificar na análise que o Tribunal de
origem fez do regime jurídico do patrimônio cultural. O tombamento
constitui apenas um entre vários institutos de proteção de bens de
valor histórico e artístico, sendo um deles o inventário, que,
isoladamente, já assegura proteção legal. Uma vez inventariado, o
bem deve ser salvaguardado pelo Estado, pelo proprietário e pela
sociedade em geral. Por outro lado, a notificação, que deflagra o
tombamento provisório, impõe ao proprietário dever de abstenção
absoluta de realizar qualquer intervenção no bem sem expressa,
inequívoca e válida autorização da autoridade competente.
3. Da leitura do acórdão recorrido depreende-se que a questão
relativa à possibilidade de inventário criar limitação
administrativa foi decidida com fundamento no art. 216, § 1º, da
Carta Magna. Com efeito, foram debatidas matérias de natureza
constitucional e infraconstitucional. No entanto, o recorrente
interpôs apenas o Recurso Especial, sem discutir a matéria
constitucional, em Recurso Extraordinário, no excelso Supremo
Tribunal Federal. Assim, aplica-se na espécie o teor da Súmula
126/STJ: "É inadmissível recurso especial, quando o acórdão
recorrido assenta em fundamentos constitucional e
infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para
mantê-lo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário."
4. Ademais, a controvérsia foi decidida também com base em
interpretação de norma local (art. 1º da Lei Municipal 2.449/1989),
cuja análise é obstada ao Recurso Especial ante a aplicação, por
analogia, da Súmula 280/STF: "Por ofensa a direito local não cabe
Recurso Extraordinário."
5. Por fim, sobre o dano em si, verifico que o Tribunal a quo,
dentro das especificidades do caso concreto e amparado no conjunto
fático-probatório constante dos autos, concluiu que "as provas
documentais e testemunhais foram todas apreciadas, de modo que se
verificou a destruição do imóvel após o inventário (em 1998) e,
ainda, após o embargante ter sido notificado do procedimento de
tombamento, este deflagrado em 2007". Nesse aspecto, é inviável
analisar a tese defendida no Recurso Especial, a qual busca afastar
as premissas fáticas estabelecidas pelo acórdão recorrido, pois
inarredável a revisão do conjunto probatório dos autos. Aplica-se o
óbice da Súmula 7/STJ. 6. Recurso Especial não provido.
Decisão Completa
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior
Tribunal de Justiça: ""A Turma, por unanimidade, negou provimento
ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)."
Os Srs. Ministros Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Assusete
Magalhães (Presidente) e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro
Relator."