AIRESP
Processo Sem Classe
Processo nº 1965268
ID do Registro
#69779d57a5783
202103290550
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FRANCISCO FALCÃO
2022-08-10
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2022-08-08
Não categorizado
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. CIVIL. DEMOLIÇÃO DE PARTE DE IMÓVEL DETERMINADA
POR DECISÃO JUDICIAL POSTERIORMENTE REFORMADA PELO TRF5. DANOS
MATERIAIS. DANOS MORAIS. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO
VERIFICADA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ.
DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
I - Na origem, trata-se de ação de indenização por danos morais e
materiais contra a União objetivando seja o ente federado réu
compelido ao pagamento de reparação pecuniária em decorrência da
execução provisória liminar proferida nos autos da Ação Civil
Pública, ajuizada pelo Ministério Público Federal, na qual foi
determinada e executada a ordem de desocupação e demolição do 2º
(segundo) pavimento de sua residência, decisão essa cassada após o
trânsito em julgado da referida ACP.
II - Na primeira instância, a ação foi julgada procedente, com a
condenação da União ao pagamento por danos materiais e por danos
morais. O Tribunal a quo, em grau recursal, deu parcial provimento
ao recurso de apelação da União, reformando a decisão monocrática
apenas para excluir da condenação a indenização por danos morais.
III - Não há violação do art. 535 do CPC/1973 (art. 1.022 do
CPC/2015) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e
fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da
controvérsia, apreciando-a fundamentadamente (art. 165 do CPC/1973 e
art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento,
ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como
verificado na hipótese.
IV - No que trata da apontada violação do art. 520 do CPC/2015, a
Corte Regional, com base nos elementos fáticos dos autos, concluiu
que o pagamento integral do dano material, com a restituição do
imóvel ao seu estado anterior, seria o suficiente para compensar o
recorrente por todos os prejuízos sofridos, incluindo o dano moral.
V - Assim, a pretensão de alterar tal entendimento, considerando as
circunstâncias do caso concreto, como a dor, o sofrimento, a
amargura, a angústia ou o abalo psicológico suportado pelo
recorrente, demandaria o revolvimento de matéria fático-probatória,
providência impossível pela via estreita do recurso especial, ante o
óbice do enunciado da Súmula n. 7/STJ.
VI - De todo modo, o acórdão recorrido foi claro ao considerar que
somente o dano material seria devido, suficiente para a respectiva
indenização, afastando o moral, e eventual análise da controvérsia
em recurso especial, não escapa ao referido óbice sumular desta
Corte.
VII - Agravo interno improvido.
Decisão Completa
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior
Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 02/08/2022 a 08/08/2022,
por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do
Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell
Marques e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques.