AIRESP
Processo Sem Classe
Processo nº 1795237
ID do Registro
#69779d57857ca
201900288393
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FRANCISCO FALCÃO
2023-10-05
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2023-10-03
Não categorizado
Ementa
AÇÃO CIVIL PÚBLICA. AMBIENTAL. INSTITUIÇÃO DE RESERVA LEGAL.
RECUPERAÇÃO AMBIENTAL. REJULGAMENTO DA CAUSA POR CONTA DA
PROCEDÊNCIA DE RECLAMAÇÃO PROPOSTA NO STF EM QUE SE ASSENTOU A
INCIDÊNCIA DO ART. 15 DO CÓDIGO FLORESTAL AO CASO, À LUZ DAS ADI N.
4.937, 4.903, 4.902 e ADC N. 42. TERMO DE COMPROMISSO FIRMADO SOB
VIGÊNCIA DA ATUAL LEGISLAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À LEI FEDERAL.
TEMPUS REGIT ACTUM. INCIDÊNCIA DA NORMA VIGENTE À ÉPOCA DA
CELEBRAÇÃO DA AVENÇA.
I - Na origem, trata-se de ação civil pública ajuizada pelo
Ministério Público do Estado de São Paulo, objetivando a formação,
instituição e registro de Reserva Florestal Legal em propriedades
rurais, nos termos Lei n. 4.771/1965, antigo Código Florestal.
II - Na sentença julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo
a sentença foi reformada para julgar parcialmente procedente a ação,
a fim de determinar a instituição de área de reserva legal na forma
preconizada pelo Novo Código Florestal, reputado de aplicação
imeditada. Inicialmente, esta Corte deu provimento ao recurso
especial interposto pelo Parquet estadual para afastar a aplicação
do Novo Código Florestal à hipótese. No Supremo Tribunal Federal, a
reclamação foi julgada procedente com determinação de rejulgamento
da causa e apontamento de incidência, ao caso, do art. 15 de
referida legislação. Após retorno dos autos para nova decisão, o
recurso especial restou parcialmente conhecido, e, nessa parte,
desprovido.
III - A Suprema Corte consignou expressamente que a situação em
apreço foi tratada em termo de compromisso administrativo firmado já
sob a vigência da atual disciplina conferida à matéria pelo Novo
Código Florestal.
IV - Assim, n ão obstante as alegações do Órgão ministerial no
sentido de que o exame de constitucionalidade de normas do Novo
Código Florestal não interfere na solução de questões afetas à
sucessão de leis ambientais no tempo, bem como, ressalvado o firme
posicionamento deste relator de que, em se tratando de matéria
ambiental, deve-se analisar a questão sob o ângulo mais restritivo,
em respeito ao bem jurídico tutelado e à compreensão consolidada
desta Corte de Justiça, que rechaça o retrocesso ambiental,
constata-se que a pretensão recursal do Parquet não encontra o
devido amparo, notadamente porque não se trata de aplicação
retroativa.
V - No caso específico, acolher a tese defendida pelo Ministério
Público, para afastar a incidência da Lei n. 12.651/2012,
equivaleria a negar cumprimento ao que assentado pela Corte
Constitucional no caso concreto, razão pela qual a decisão
hostilizada deve ser mantida.
VI - Agravo interno improvido.
Decisão Completa
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar
provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr.
Ministro-Relator.
Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Assusete
Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator.