AREsp
Agravo em Recurso Especial
Processo nº 1900583
ID do Registro
#69779d577eb7a
202101725234
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FRANCISCO FALCÃO
2024-03-21
-
2024-03-19
Não categorizado
Ementa
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO
E, NESSA PARTE, IMPROVIDO. NA ORIGEM: AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PRETENSÃO
DE ANULAÇÃO DE DECISÃO DA CÂMARA DE COMPENSAÇÃO AMBIENTAL. SENTENÇA
DE PROCEDÊNCIA. TRIBUNAL MANTIDA A SENTENÇA. NESTA CORTE.
INOBSERVÂNCIA DO ART. 36, § 2º, DA LEI N. 9.985/2000. NECESSIDADE DE
OBSERVÂNCIA DO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL. EIA/RIMA. ACÓRDÃO DO
TRIBUNAL DE ORIGEM QUE DEVE SER MANTIDO. RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO.
I - Na origem trata-se de ação civil pública ajuizada pelo
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL contra O ESTADO DE SÃO PAULO, FUNDAÇÃO
PARA CONSERVAÇÃO E A PRODUÇÃO FLORESTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO -
FUNDAÇÃO FLORESTAL E PETROBRÁS, pretendendo anular decisão da Câmara
de Compensação Ambiental. Na sentença julgou-se procedente o
pedido, para determinar a anulação total da decisão da Câmara de
Compensação Ambiental, proferida na 31ª Reunião em 17/12/2007, que
destinou a totalidade dos recursos de compensação ambiental para a
implantação do Plano de Manejo do Parque Estadual da Serra do Mar,
determinando a destinação da integralidade do valor dos recursos de
compensação ambiental às áreas de relevante interesse ecológico
situadas na área de influência direta do empreendimento conforme
plano a ser apresentado na fase de cumprimento de sentença. No
Tribunal a quo a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado
em R$ 12.557.831,00 (doze milhões, quinhentos e cinquenta e sete
mil, oitocentos e trinta e um reais).
II - A alegada violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535
do CPC/1973) não pode ser conhecida, porquanto não há no recurso
especial a descrição específica a respeito de qual seria a omissão,
contradição ou obscuridade do acórdão recorrido, como verificado na
hipótese, o que atraí a incidência da Súmula 284/STF.
III - Ademais, conforme entendimento pacífico desta Corte, "o
julgador não está obrigado a responder a todas as questões
suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo
suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art.
489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo
Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador
apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada
na decisão recorrida". (EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra
Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira
Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016.)
IV - Quanto à matéria de fundo (ofensa aos arts. 36, caput, §3º da
Lei n. 9.985/2000 e 32 do Decreto Federal n. 4.340/2002 - referentes
a anulação da decisão da câmara de compensação ambiental e arts.
492, 322 e 324 do CPC/2015 e 286 do CPC/73 - decisão extra-petita e
formulação de pedido certo e determinado), verifica-se que a Corte
de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração
os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à
conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o
que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A
pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso
especial".
V - Ao contrário do que faz crer o agravante ente público, em que
pese o Tribunal de origem ter feito menção ao princípio da
proporcionalidade para anular a decisão da câmara de compensação
ambiental da Secretaria Estadual, o fato é que, onde se lê
"proporcionalidade", deve-se ler "ilegalidade", porquanto restou
consignado no acórdão recorrido que a decisão da câmara de
compensação deveria ter, por baliza, o Estudo de Impacto Ambiental
(EIA/RIMA) descrito nos autos.
VI - Essa exigência encontra amparo legal, nos termos do art. 36, §
2º, da Lei n. 9.985/2000, que expressamente prescreve que "[a]o
órgão ambiental licenciador compete definir as unidades de
conservação a serem beneficiadas, considerando as propostas
apresentadas no EIA/RIMA [...]". A propósito, confira-se o teor
integral do dispositivo legal.
VII - Agravo em recurso especial conhecido, para conhecer
parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negar provimento ao
recurso especial.
Decisão Completa
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, conhecer
do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa parte,
negar-lhe provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro-Relator.
Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Teodoro
Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator.